EU MATO

DE:  GIORGIO FALETTI.

 

DE GIORGIO FALETTI

     “ Olá. Quem é você?

    Houve um instante de hesitação do outro lado da linha. Depois a resposta quase soprada, reverberando artificialmente.

      Não tem importância. Sou um e nenhum.

      Sua voz está distorcida, não o escuto bem. Onde você está?

     Pausa. O rastro leve de um avião indo para não se sabe onde.

     O interlocutor não deu importância á observação de Jean-Loup.

     Isso também não interessa. A única coisa que conta é que chegou o momento de falarmos, mesmo que isso signifique que nunca mais seremos os mesmos, nem eu nem você. 

      Em que sentido?

     Logo serei um homem perseguido e você estará entre os cães de caça que rosnam correndo atrás de sombras. É uma pena, pois agora, nesse exato momento, eu e você somos iguais, somos a mesma coisa.

      Somos iguais em quê?

     Para o mundo, nós dois somos uma voz sem rosto, a ser ouvida com os olhos fechados, com a imaginação. Lá fora está cheio de gente que só pensa em encontrar uma cara que possa mostrar com orgulho, que seja diferente de todas as outras, gente sem nenhuma preocupação a não ser essa. Chegou o momento de sair e ver o que há por trás disso…

      Não estou entendendo o que quer dizer.

   Outra pausa, longa a ponto de dar a impressão de que a ligação tinha caído. Depois a voz retornou e alguns dentre os ouvintes tiveram a impressão de sentir a sombra de um sorriso.

      Vai entender com o tempo.

      Não estou acompanhando seu raciocínio.

    Mais uma pausa ligeira, como se o homem do outro lado da linha estudasse suas próximas palavras.

      Não se preocupe. Às vezes é difícil até para mim.

      Então, por que ligou, por que está aqui falando comigo?

      Porque estou só.

    Jean-Loup abaixou a cabeça sobre a mesa e apertou-a entre as mãos.

     Fala como um homem fechado numa prisão.

   Todos estão fechados numa prisão. Eu construí a minha sozinho, mas nem por isso é mais fácil sair.

    Sinto muito por você. Posso perceber que não gosta muito das pessoas.

     E você, gosta?

    Nem sempre. Às vezes tento entendê-las e quando não consigo, tento pelo menos não julgá-las.

    Até nisso somos iguais. A única coisa que nos diferencia é que, quando acaba de falar com elas, você tem a possibilidade de se sentir cansado. Pode ir para casa e desligar a mente e todas as suas doenças. Eu não. Eu não consigo dormir de noite, porque meu sofrimento nunca acaba.

    E nessas noites, o que faz para se livrar do seu sofrimento?

   Jean-Loup pressionou um pouco o interlocutor. A resposta se fez esperar e foi como se um objeto embrulhado em diversas camadas de papel cobrisse lentamente a luz.

    Eu mato…”

 EU MATO  Essa estória ocorre nos cenários glamorosos do Principado de Mônaco, onde um agente do FBI e um detetive se veem em um caso de uma série de assassinatos em Montecarlo, na região privilegiada da Côre d’Azur, em um País, conhecido por abrigar mais policiais e menos crimes, per capita, que qualquer outro.  Um homem desconhecido e astucioso passa a fazer ligações para o programa de rádio, em que o apresentador e DJ, Jean-Loup, que comanda o programa “Voices”,  é escolhido para ser informado de suas próximas vítimas. Assassinatos barbáries passam a ser  acometidos a cada nova ligação ao programa no ar. Deixando policiais, investigadores e psiquiatras desnorteados…

QUER SABER MAIS? ACESSE:

it.wikipedia.org/wiki/Giorgio_Faletti

Contato:

jugloxinia@uol.com.br

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s