A ÁRVORE QUE DAVA DINHEIRO

DE: DOMINGOS PELLEGRINI

  “Meio-dia um cachorro atravessou a praça com as orelhas murchas e a língua suando. Parou onde era a velha árvore e, sem querer, aguou as  três sementes.

     No fim da tarde o velho foi enterrado como indigente, num caixão sem verniz e sem flores. Umas velhas foram rezando até o cemitério, alguns homens se revezaram nas alças. Na beira da cova abriram o caixão, ele sorria com a boca torta.

    Dias depois todos os herdeiros receberam carta do cartório, e em todas as casas marcaram na folhinha o dia da morte dele, e começaram a fazer planos para o dinheiro do aluguel que não pagariam mais. Dali a dois anos, com escritura da casa na mão, um ia reformar o banheiro e esticar um caramanchão nos fundos; outro ia trocar o telhado; outro ia pintar a casa de azul e branco, outro de verde; e sonhando assim, Felicidade foi vivendo.

     Não imaginavam que logo veriam dinheiro nascer de árvores e todo sonho virar realidade.

     Não demorou uma semana para despontar na terra uma plantinha; e no mesmo dia apareceu outra; no dia seguinte já estavam as três tomando sol. E todo dia o cachorro passava, erguia a perna e aguava.

     Mas uma morreu pisada.

     Outra morreu de seca, num dia de sol em que o cachorro não passou.

     A terceira cresceu tão depressa que, num mês, o cachorro já erguia a perna no caule, já com uma casca áspera de árvore.

    Ao lado tinha um banco de madeira, para aproveitar a sombra da velha árvore; de modo que acharam bom crescer outra ali, e um dia ela anoiteceu protegida por um cercado – e, no dia seguinte, agradeceu crescendo ainda mais depressa.

     Agora o cachorro não conseguia mais chegar ao pé dela, nem precisava mais ser aguada: abria folhas novas todo dia, numa fúria que ninguém ainda percebia, porque era apenas uma pequena árvore.

     Mas com dois meses a árvore era mais alta que um homem.

     No terceiro mês, o cachorro deitou na sombra.

     No quarto mês, todos já haviam reparado nela; crescia e se esgalhava ao vento.

     No quinto mês os moleques começaram a trepar nela.

     No sexto mês despontou no galho mais alto uma folha colorida, que começou a abrir e não era uma folha, era uma flor de uma pétala só, mas só o vento sabia: a pétala era uma nota de dinheiro.

     E a nota foi desenrolando e, conforme desenrolava ia secando, até estalar como dinheiro novo; ai voou com o vento de tardinha.

     Foi achada de manhã por um menino…”

A ÁRVORE QUE DAVA DINHEIRO –  É uma história de um velho avarento que morava na cidade chamada Felicidade, e que apesar de ser um unha-de-fome e  passar necessidade, ele não era pobre. Era dono da metade da cidade.  Um dia o velho caiu no quintal de sua casa, e bateu as botas. Mas antes de morrer o velho mandou chamar o cartorário para ler seu testamento. Ele deixou todas as casas  para seus próprios inquilinos. Mas que só poderiam requerer a escritura depois de dois anos e, três esquisitas sementes deveriam ser plantadas  em cerimônia pública. Apesar de ninguém ter ouvido as últimas exigências do defunto o cartorário acaba por cumprir o seu último desejo,  e planta as sementes no meio da praça.  Das três sementes só uma vinga e quando seis meses depois ela começa a florescer a vida dos moradores da pacata cidade Felicidade nunca mais seria a mesma.

QUER SABER MAIS? ACESSE: pt.wikipedia.org/wiki/Domingos_Pellegrini.

Contato:

 jugloxinia@uol.com.br

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