SANGUE QUENTE

DE: ISAAC MARION

 

  ” …Segurando Julie pela mão, eu apresso para longe dos olhares que nos examinam. Levo Julie pelo portão 12, passando pelo túnel de embarque até a minha casa, um 747 comercial. Não é muito espaçosa, a planta da aeronave não é nem um pouco prática, mas é o local mais isolado do aeroporto, e gosto de ter privacidade. Às vezes isso ativa minha memória entorpecida. Olhando para as minhas roupas eu diria que eu era o tipo de pessoa que viaja bastante. Às vezes quando “durmo” aqui, sinto aquela sensação de quase desmaio do decolar, os jatos de ar reciclado em meu rosto e o nojo dos sanduíches frios. E então  sinto a acidez do molho de limão do poisson em Paris. O queimar do tajine no Marrocos. Será que esses lugares não existem mais? Viraram ruas  vazias e cafés cheios de esqueletos empoeirados?

     Julie e eu paramos no corredor central e olhamos um para o outro.  Aponto para uma poltrona na janela e levanto as sobrancelhas. Mantendo os olhos fixos em mim, ela anda de costas até a fileira e se senta. Suas mãos apertam os braços da poltrona como se o avião estivesse em chamas e caindo.

    Sento na poltrona do corredor e solto um chiado involuntário, olhando diretamente para as pilhas de coisas que coleciono e que estão a minha frente. Sempre que vou até a cidade, acabo trazendo comigo algo que me chama a atenção. Um quebra-cabeça. Um copo de tequila. Uma Barbie. Um vibrador. Flores. Revistas. Livros. Trago tudo para minha casa, espalho pelas polronas e corredores e fico olhando para eles durante horas. As pilhas já chegam ao teto. M sempre me pergunta porque faço isso, mas não tenho uma resposta.

     – Não…  comer,  – grunho para Julie olhando em seus olhos, – Eu…  não comer.

     Ela fica me encarando. Seus  labios estão comprimidos e pálidos.

    Aponto para ela, para minha boca e depois para os meus dentes tortos e ensanguentados. Faço que não com a cabeça. Ela se encolhe mais para perto da janela. Um grito de terror começa a aparecer na garganta dela. Isso não está dando certo.

     – Segura – falo para ela, soltando um suspiro – Manter… você segura.

     Fico em pé vou até o meu toca-discos.  Abro o maleiro e procuro na minha coleção até pegar um LP. Levo o fone de ouvido comigo até a minha poltrona e coloco em Julie. Ela continua paralisada com os olhos arregalados.

    A vitrola toca Frank Sinatra. Consigo ouvir um pouco de música que sai dos fones, como um elogio distante que flutua no ar de outono.

     Last night… when we were young…

     – Segura – eu sussurro. – Manter  você…  segura.

      …ages ago… last night…

    Quando finalmente abro meus olhos, o rosto dela está diferente. O terror sumiu e ela me olha com  descrença.

     Quem é você? – Julie sussurra.

    Viro o rosto para longe dela. Então me levanto e saio do avião. O olhar aturdido de Julie me segue até sair…”

WARM BODIES – Ou, Sangue Quente – R é um zumbi, entre tantos outros zumbis. Ele sabe grunhir ou gemer, como os outros. Cospe uma ou outra palavra. Sem frases… Às vezes ele tem sonhos de quando era um humano. Mas por mais que ele tente se lembrar ele não lembra como era seu nome. Só lembra que começa com R…

     Ele se arrasta junto aos outros zumbis através de prédios destruídos, carros enferrujados, vidros quebrados e abandonados arranha-céus de um mundo apocalíptico. Ele e os outros se sentem atraídos pela força vital da energia da vida que flui dos corpos humanos. E ele caça, como os outros, os poucos humanos normais que restam e que se escondem dentro dos enormes estádios de futebol. Ele precisa comer carne e cérebros, para não  murchar, morrer de vez. Ele come para continuar morto-vivo, como os outros. E desfruta de uma fina iguaria, que são os cérebros humanos, que o leva numa viagem em suas memórias. Como se fosse uma espécie de droga.

      Mas depois de uma caçada em bando, R, come o cérebro de um jovem adolescente suicida, e dele descobre o amor. O amor do adolescente por Julie… Julie Grigio. R acaba por encontrar Julie em meio à carnificina humana, e incapaz de matá-la ele a leva para seu covil. Ainda embebecido pelas memórias do adolescennte, ele quer protegê-la de todos, quer mantê-la segura. Ao seu lado. Mas Por quê? Será Julie diferente? Poderia ele um zumbi se apaixonar, por uma humana? E Julie mudaria por R, ou será se R é que mudaria por Julie? Mas, quando os outros zumbis descobrem que tem uma humana entre eles,  tudo muda. Poderá R ser suficiente para proteger Julie de um bando de zumbis esfomeados?

     Os carnudos e os Ossudos entram em guerra por causa de R e Julie.  R terá  que fugir e levar Julie com ele. Mas para onde? Para R viver entre os humanos seria suicídio, e para Julie viver entre os zumbis seria loucura…

QUER SABER MAIS? ACESSE:  http://www.isaacmarion.com/

VAMPIT

J. P. Santos. Agradesce.

https://vampitdivulgalivros.wordpress.com

Contato:

jugloxinia@uol.com.br

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