STARTERS – 1° LIVRO.

DE: LISSA PRICE

     “… Meu coração estava acelerado. Tudo estava muito confuso, o mundo parecia estar de cabeça para baixo. Eu tinha que lembrar a mim mesma de que a belíssima Madison era, na verdade, uma mulher de cento e poucos anos.

      E o fato de que ela pensava o mesmo a respeito de mim era realmente desconcertante.

    – Se você estiver se sentindo melhor, Callie, eu realmente preciso pegar uma bebida. Algo que tenha um nome longo e sexy.

      – Eles vão lhe servir bebida?

    – Querida, este clube é privado. Totalmente discreto, assim como o banco de corpos – disse ela, tocando em meu braço. – Não se preocupe, meu bem. Estarei por perto e volto logo.

      Ela se levantou da poltrona. Eu apoiei os cotovelos  sobre os joelhos e encostei a testa em minhas mãos. Queria que o mundo parasse de girar. Mas, quanto mais eu tentava entender tudo o que estava acontecendo, mais as coisas pareciam piorar. Minha cabeça latejava.  Por que eu havia acordado em uma danceteria e não no banco de corpos? O que tinha acontecido?

    Tudo estava indo muito bem até ali. Eu receberia meu dinheiro, conseguiria um lugar quente para Tyler poder dormir, uma casa de verdade. E agora, isso.

      Foi quando ouvi uma voz.

      Olá?

     Ergui a cabeça. Não era Madison. Ela estava longe de mim, em frente  ao balcão do bar. Olhei para trás. Não havia ninguém por perto.

      Seria minha imaginação?

      Pode… me ouvir?

      Não, era real.  A voz vinha de…

      Dentro. Da. Minha. Cabeça.

    Será que eu estava sofrendo uma alucinação? eu coração estava disparado. Talvez Madison estivesse certa, eu deveria estar bêbada. Posso ter batido a cabeça quando caí. Alguma coisa estava muito, muito errada. Minha respiração se acelerou e eu comecei a hiperventilar.

      A voz parecia ser de uma mulher.  Segurei a respiração para tentar me acalmar e ouvir melhor.

     O barulho da danceteria interferia em minha percepção. Enfiei os dedos nos ouvidos e tentei escutar, mas tudo o que eu ouvia eram as batidas do meu próprio coração. Não conseguia afastar o choque de ouvir uma voz daquela maneira.

       Onde está a saída? Queria sair dali. Precisava de ar fresco.

      A próxima voz que ouvi era jovem, muito masculina e vinha de um ponto logo à minha frente.

       – Você está bem? – Era ele. O rapaz de camisa azul, o “adolescente, por dentro e por fora”, como Madison explicara. Ele parecia estar preocupado.

    O que ele disse? Perguntou se eu estava bem. Lutei para me controlar, para não demonstrar que estava em pânico.

        – Sim. Estou. – Puxei a barra de meu vestido, numa tentativa inútil de cobrir minhas pernas.

      Ele era ainda mais bonito agora que estava perto, inclusive com covinhas no rosto. Mas eu não tinha tempo para distrações. Precisava saber se ouviria aquela voz novamente. Ele simplesmente olhava em minha direção enquanto eu tentava escutar.

        Minha cabeça estava em silêncio. Fora obra  de minha imaginação? Pelo fato de eu estar bastante desorientada, depois de ser jogada de volta para o meu corpo daquela forma? Talvez o rapaz tivesse assustado a Voz.

      Ele usava uma jaqueta preta que parecia ser bem cara. Pensei no veredicto de Madison sobre ele. Eu me levantei e o examinei rapidamente em busca dos sinais.

        Nada de tatuagens,  piercings ou cores estranhas no cabelo. Certo. Roupas e jóias caras – qual seria a marca do relógio que ele tinha no pulso? – certo. Bem educado, inscrívelmente bonito. Certo. Era um inquilino.

       Em seguida, ele virou o rosto na direção do bar e eu estava perto o bastante para perceber uma cicatriz que ele tinha perto do queixo. Doris nunca deixaria aquilo passar.

      – Eu vi quando você caiu – disse ele, com uma toalha pequena na mão. – Fui pegar isto no banheiro.

      – Obrigada. – Encostei a toalha em minha testa e vi um sorriso se abrindo no rosto dele. – O que é engraçado?

        – Não é para sua cabeça – disse ele, gentilmente pegando a toalha de volta e deslizando-a por meu braço, que ficara sujo com o que estava no chão.

    – Eu escorreguei. Alguém derramou uma bebida. E, com estes saltos…

      – São saltos fabulosos. – Ele olhou para meus pés e sorriu, com as covinhas do rosto ficando mais pronunciadas.

      Ser o centro das atenções dele era demais para mim. Eu tinha que desviar o olhar. Um rapaz assim, rico e bonito, interessado em mim, a garota que morava nas ruas? Vi meu reflexo em uma das pilastra espelhadas e fui trazida violentamente de volta à realidade. Eu havia me esquecido de que tinha a aparência de uma celebridade.

     Quando me virei,  percebi que Madison ainda estava em frente ao balcão do bar, tentando atrair a atenção do bartender, um Ender que devia  ter dificuldade de escutar.

      O rapaz se virou para olhar na direção em que eu estava olhando e deixou a toalha sobre uma pequena mesa.

       – Ela é sua amiga? – perguntou ele.

       – Mais ou menos.

       Ele ergueu um dedo, como se estivesse tentando se lembrar.

       – O nome dela é Madison, certo?

        Fiz que sim com a cabeça.

       – Eu estava conversando com ela mais cedo. Ela é engraçada – disse ele.

        – Como assim?

        – Ela me perguntou um monte de coisas.

        – Que tipo de perguntas?

      – Sobre história, dá para acreditar? Coisas que aconteceram há vinte ou trinta anos. Por exemplo, você sabe qual o holo ganhou dez Oscars há uma década?

     Apertei os olhos e tentei lembrar se meu pai chegara a mencionar algo assim. Ele saberia, com certeza. Eu dei de ombros.

     – Viu? Você também não sabe – disse ele. – Obviamente, não passei no teste da Madison. Quando percebeu que eu não sabia as respostas, ela simplesmente me deu as costas e se afastou. Eu vim para dançar, não para participar de um programa de perguntas e respostas.

     – Ele olhou para os próprios pés e depois para mim. – Você gostaria de… ?

     – Eu? – Percebi que a música havia recomeçado, mas era uma batida mais lenta e não tão barulhenta. – Não. Não posso.

     – É claro que pode.

    Pensei em Michael no prédio abandonado, cuidando de Tyler para mim. Não parecia certo. Eu não podia  simplesmente sair para dançar. Ainda não fazia a menor idéia  do que havia acontecido, onde eu estava, ou como havia chegado até ali, e eu realmente não era a mesma.

       – Estou só um pouco tonta.

       – Talvez mais tarde? – disse ele, com uma ponta de esperança na voz e levantando a sobrancelha.

        – Desculpe. Já estou de saída.

       Eu sabia que aquela era uma maneira rude de falar, mas não queria lhe dar falsa esperança.

     Os olhos dele refletia a mesma decepção que eu sentia, mas ele conseguiu escondê-la bem. Parecia estar preste a dizer alguma outra  coisa, mas, naquele exato momento, Madison voltou, com uma xícara em uma mão e um coquetel na outra.

      – Trouxe um café para você . Espero que goste dele bem forte. – Ela me entregou a xícara e percebeu que o rapaz estava por perto. – Ah!  Blake, não é mesmo? Oi, de novo.

      Blake a cumprimentou com um movimento de cabeça, mas não tirou seus olhos de mim. Nós compartilhamos um sorriso, uma experiência secreta, às custa de Madison. Uma daquelas experiências de aproximação entre pessoas, do tipo “ela não sabe que estávamos falando dela”.  Madison não pareceu notar, ocupada enquanto tentava arrancar um pedaço de abacaxi que decorava seu copo.

        – Preciso voltar para perto de meus amigos – ele disse.

        Madison engoliu a fruta e lhe deu um sorriso cortês.

        – É ótimo vê-lo novamente, Blake.

       – Tchau, Madison. – E, em seguida, ele sorriu para mim. – Até mais tarde, Callie. – Ele inclinou a cabeça e girou sobre os calcanhares, como se tivesse fazendo um movimento de dança.

      Não cheguei a me apresentar para ele. De algum modo, ele havia descoberto.

     Eu o observei enquanto se afastava, com as mãos no bolsos. Eu estava me sentindo um pouco melhor.

        Escute… por favor…

      Senti um arrepio correr por minha coluna. Não. Era aquela Voz novamente. Dentro da minha cabeça. Se fosse obra da minha imaginação, então provavelmente ela estava funcionando muito bem, porque a Voz parecia  muito real. Tudo estava errado. Eu tinha que sair dali.

      Qualquer que fosse o lugar de onde a Voz estava vindo, – de dentro da minha mente ou até outro lugar -, as palavras seguintes me perfuraram como agulhas pontiagudas.

     Escute… importante… Callie… não volte à… Prime Destinations…”

STARTERS – Callie tem 16 anos, perdeu seus pais quando uma Guerra de Esporos varreu todas as pessoas entre 20 a 60 anos, que não tinham sido vacinadas. Ela e seu irmão Tyler, sobreviveram. Vivem nas ruas junto com um amigo, Michael. Eles lutam contra renegados que matariam por qualquer migalha de alimento, ou por um pouco de  água. Escondem-se de inspetores do governo que caçam todos os menores, que não comprovem ter família. Para fazer trabalho escravo, legalizado. Por isso eles vivem em ruínas de prédios abandonados se escondendo como ratos. São chamados de…  Starters.

Callie desesperada para obter uma moradia, conforto e  médico para o seu irmão de sete anos, que está doente, procura uma Instituição privada chamada Prime Destinations, que estava oferecendo muito dinheiro a, adolescentes para alugar os seus corpos aos Enders – idosos de mais de 100 anos, e ricos. – que desejam uma oportunidade de ser jovens por um período, novamente. Ela acaba aceitando a negociação

  Porém o que parecia ser fácil, logo se torna um pesadelo. Tudo ia bem nos primeiros alugueis, até que no terceiro…

Ela acorda antes do tempo, em um mundo que não é seu. Pessoas a confundem com sua inquilina, que ela não conheceu.  De repente se vê envolvida em uma conspiração para um assassinato. Ouvi vozes em sua cabeça alertando-a que corre perigo, e para não confiar em ninguém…

Uma guerra está sendo travada entre os Enders, onde Starters estão desaparecendo misteriosamente e Callie está bem no meio dela. Será se ela conseguirá, pelo menos, ver seu irmão novamente?

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VAMPIT

J. P. Santos. Agradesce.

https://vampitdivulgalivros.wordpress.com

Contato:

jugloxinia@uol.com.br

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