A ESMERALDA MALDITA

DE: EDGAR WALLACE

A esmeralda maldita

     “… Leslie Maugham caminhou  com passos apressados ao longo do Tâmisa. Era uma noite muito fria e a capa de lã não a protegia o suficiente contra o gélido vento norte. O homem que caminhava ao seu lado era bem mais alto que ela; Leslie só lhe chegava aos ombros. Ele tinha um porte militar e movimentava o guarda-chuva no mesmo ritmo de seus passos.

    – Suicídio à esquerda – disse amavelmente, como se fosse um guia turístico que mostrasse as belezas da cidade.

      A moça retardou o passo e olhou para trás.

     – É mesmo? Fala sério, senhor Coldwell?

     Observou a silhueta debruçada para fora do parapeito, com os braços apoiados  sobre a parte superior da abóbada e o queixo entre as mãos. Era uma figura magra, semelhante aos vagabundos que se recolhiam ali da meia-noite em diante para dormir entre uma ronda e outra da polícia.

     – Estranhamente – disse o senhor Coldwell – quando se vê um desses tipos olhando assim para a água, ele esta arquitetando uma maneira de saldar velhas dívidas. O caso lhe interessa… sentimentalmente?

     Ela hesitou. – Sim, um pouco. Não sei se é sentimento ou apenas curiosidade feminina.

     Separou-se dele e caminhou em direção ao homem, que talvez a estivesse observando com o canto dos olhos, porque logo se endireitou. – Miséria e morte? – perguntou ela, e ouviu-o rir.

     – Miséria, sim, morte, não – respondeu-lhe como um homem culto, com uma agradável pronúncia ligeiramente arrastada, típica de quem frequentou uma universidade. – Despertei sua compaixão? Sinto muito. Se me oferecesse dinheiro, ficaria embaraçado. Nessa calçada, poderia encontrar muitos miseráveis mais dignos de… caridade.  Uso essa palavra em seu sentido mais puro.

     Ela o encarou. O bigode e a barba cerrada não disfarçavam a sua pouca idade. O inspetor-chefe Coldwell, que havia se aproximado, examinava-o com um interesse profissional.

    – Quer saber o que eu estava pensando? – Havia um curioso tom zombeteiro em sua voz. – Estava pensando em um assassinato. Nessa cidade existe alguém que me causou muitos aborrecimentos; tinha decidido procurá-lo na primeira oportunidade e acertar três tiros em seu coração, quando você desviou o rumo homicida de meus pensamentos.

     Coldwell riu. – Parece que o conheço,  você é Peter Dawlish – disse-lhe, e a figura andrajosa ergueu o chapéu.

    – Ah, a fama! – exclamou ironicamente. – e o senhor é Coldwell, o reconhecimento é recíproco. Agora que fiz minha confissão, presumo que o senhor ligará para a delegacia mais próxima e me colocará a salvo de todas as tentações.

     – Quando foi libertado? – indagou Coldwell.

    A moça escutava-os surpresa. Havia falado sobre aquele homem há menos de quinze minutos, pensava nele à tarde, e encontrá-lo entre tantos milhões de londrinos, naquela noite de ventania, era mais do que mera coincidência. Era fatalidade. – Senhor Dawlish, não sei se me acreditará quando lhe disser isso, mas é justamente a pessoa que desejava encontrar. Ainda hoje fiquei sabendo que o senhor esteve… ausente. Poderia me fazer uma visita esta noite?

     O homem sorriu. – Os convites chovem – murmurou. – Há menos de dez minutos me ofereceram abrigo no Exército da Salvação. Acredite-me, senhora…

     – Senhor Dawlish – a voz dela era muito calma, porém incisiva. – o senhor esta se lamentando, não é?

    – Pode ser – respondeu ele um pouco carrancudo. – Mas tenho o direito…

      – Não, ninguém tem o direito de se lamentar em circunstância alguma – respondeu-lhe. – Aqui está meu cartão.

      Leslie fechou a bolsa e o jovem pegou o cartão de visita, ergueu até os olhos e leu-o à luz fraca de um lampião distante. – Quer ir à minha casa às dez horas e meia? Não lhe oferecerei dinheiro, nem tentarei lhe arranjar um emprego como lenhador ou varredor de ruas. É um assunto muito mais grave. Ele releu o nome e as credenciais e franziu a testa. – Oh, sim… certo, se deseja.

     Subitamente, tornou-se embaraçado e hesitante. A moça percebeu logo sua mudança de modos e de tom.

     – Tenho medo de estar parecendo uma espécie de espantalho. Isso a incomoda?

      – Não – respondeu ela, estendendo-lhe a mão.

    O homem hesitou um pouco, mas em seguida  apertou-lhe a mão. Leslie sentiu a rudeza de sua pele e impressionou-se, pensando no que significava aquela palma calejada.  Um instante depois voltou a caminhar ao lado de Coldwell. Peter Dawlish seguiu-a com o olhar e, com um trejeito no rosto, voltou-se e tomou a direção de Blackfriars  Bridge.

     – Dizem que o mundo é pequeno – comentou Coldwell, balançando o guarda-chuva fechado – mas não sabia que isso se referia a Londres. Peter! Já faz muito tempo. Há cinco anos ele era elegante.

      – Acredita que ele seja culpado?

    – Um júri de seus concidadões o condenou – respondeu Coldwell prudentemente – e em geral os júris têm razão. Afinal, precisava de dinheiro, seu pai era um velho avarento e não se pode levar uma vida mundana e acompanhar belas mulheres a Nova York com duzentas e cinquenta libras por ano. Foi um tolo: se não tivesse tirado aquela licença de três meses, jamais teria sido apanhado.

    – Quem era ela? – perguntou Leslie, e pareceu-lhe uma pergunta obrigatória.

      – Não sei; a polícia a procurou, mas não descobriu nada. Peter disse que era uma bailarina de Opera de Paris. Certamente não se sentia muito orgulhoso a respeito.

     Ela suspirou. – As mulheres provocam a ruína – disse contra seu próprio sexo.

     – Nem sempre, nem sempre – replicou Coldwell, girando o guarda-chuva. parou junto à entrada da Scotland Yard.

    – Ora – exclamou, colocando-se diante dela – deixe de bancar a misteriosa e me conte por que se interessa tanto por Peter Dawlish. Você não para de falar sobre ele há três dias.

       Encarou-o decidida sob a aba do chapéu.

    – Porque sei o motivo pelo qual Peter Dawlish pensa em um assassinato e sei quem será sua vitima – respondeu.

    – Druze… até uma criança seria capaz de adivinhar! – ironizou o detetive. – E Peter vai assassiná-lo porque acha que o testemunho de Druze o levou para a cadeia.

       Ela deu um largo sorriso de triunfo.

    – Errado! – afirmou. – Se Druze morrer, é porque não gosta de crianças!

       Coldwell fitou-a com assombro…”

 A ESMERALDA MALDITA – Leslie Maugham iniciava sua carreira na polícia ainda muito jovem, como estenografa na Scotland Yard. Seu pai tinha sido o famoso vice-comandante Maugham, cujo os feitos inspiraram muitos romances policiais. Leslie tinha  as investigações criminais no sangue, mas as autoridades não confiavam cargos de responsabilidade às mulheres, então lhe deram o cargo de assistente  de Coldwell, o inspetor-chefe.

Durante uma investigação, Leslie conhece o jovem Peter Dawlish, ex-presidiario que tinha sido libertado recentemente. Apostando em sua inocência ela passou a investigar também o seu passado e acabou descobrindo uma intrigante história que o levou a ser preso: O casamento de uma mulher com um homem rico, um testamento mudado na última hora, e ainda teria de encontrar o paradeiro de uma criança perdida…  A trama envolve pessoas de bem, e entre elas a mãe de Peter. E também pessoas de pouco escrúpulos, capazes de qualquer coisa por dinheiro. Mas quando o corpo do mordomo Druze foi encontrado de posse de uma grande esmeralda, ela pode finalmente elucidar o grande mistério…

QUER SABER MAIS? ACESSE: http://www.edgarwallace.org/

http://www.edgarwallace.org/Information%20about%20Edgar%20Wallace%20Society.htm

volte a,

VAMPIT

J. P. Santos. Agradesce.

https://vampitdivulgalivros.wordpress.com

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jugloxinia@uol.com.br

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