Resenha ‘CONTE UM CONTO, VOLUME II’

PEQUENOS AUTORES…  GRANDES ESCRITORES!

CONTE UM CONTO II

Essa coletânea foi um dos lançamentos do ano 2014, através do Projeto Nascedouro, um selo da Editora Os Dez Melhores. Sendo o resultado da seleção de 63 textos produzidos a partir do desenho da capa do livro, a qual fora mostrada aos estudantes durante uma oficina literária realizada pela editora e escritora, Jana Lauxen, da Editora Os Dez Melhores. Os alunos, felizardos, do Colégio Estadual de Sananduva/RS, todos adolescentes, foram simplesmente sensacionais!

Alguns textos são simples e pequenos, mas com uma grande mensagem. E outros são tão bons que, até dá para duvidar que tenham sido escritos por simples estudantes. Bom demais!  Essa galera está de parabéns, causando inveja a muita gente.

 A ideia de levar a literatura para as mãos de pequenos autores foi muito boa. Restando-nos dizer apenas uma coisa… Queremos mais!

Bem! Agora é a parte mais difícil. Pois citar só um nome entre tantos autores parece ser injusto para os demais. Porém, para que vocês tenham o gostinho do que estão perdendo irei resumir um dos contos:

“A MALETA DA FELICIDADE”

De: Paula Manozzo Menon

Ela Conta a história de um rapaz que ao acordar durante a noite encontra em sua sala um misterioso homem carregando uma maleta. E ele diz ao rapaz que dentro dela contém algo muito especial: a felicidade. Mas o tal homem desaparece tão misteriosamente quanto o seu aparecimento, e por mais que o rapaz tente descobrir algo sobre ele não consegue. Daí em diante a história se desenrola entre coincidências, aparições e uma imagem encontrada em um panfleto. Até que um dia, depois de algum tempo, o rapaz encontra a tal maleta que sumira com o homem misterioso. E ele encontra uma grande surpresa dentro dela…

Uma história singela com um mistério a ser desvendado, e tem tudo a ver com a capa do livro. Parabéns, Paula, e a todos os outros novos autores que participaram dessa coletânea.

Esse livro já está na minha estante!

Por: Jussara Pires.

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MEU MARIDO, MEU AMANTE, MEU ETERNO NAMORADO

DE: JUSSARA PIRES

 

 

Dormir e acordar juntos, o relacionamento é claro, se desgasta. É preciso sempre regar as flores para elas desabrocharem sempre belas.

Aproveitando o dia dos namorados resolvi fazer-lhe uma surpresa. Mas para isso era preciso preparar o terreno.

Peguei os filhos na escola e despachei para longe. Dei uma passadinha no mercado e comprei o necessário, ainda passei em uma loja e comprei um presente. Cheguei em casa esbaforida, corri para deixar a casa limpa. Fiz as unhas, o cabelo e coloquei uma roupa bem bonita.

Mesa posta, cama arrumada e no forno um assado. Olhei pela janela, cansada, tudo preparado para o jantar surpresa.

Sentei esperando… O relógio na parede pendurado marca o tempo num tic-tac sincronizado. Passou dez minutos e nada. Passou meia hora, uma hora, depois de duas eu já estava desesperada! O tic-tac me atormentando. Bateu a ideia de que ele estava me traindo. Será? Mas se fosse isso…

Já me vi pegando a dita cuja, eu levaria pra ela as roupas sujas dele, principalmente as cuecas borradas. E é claro, não iria deixar nem um dente em sua boca. Com ele eu iria pegar pesado, tirava tudo, não deixaria nem um tostão em seu bolso. Arrebentaria o carro, as roupas faria picados. Contrataria até alguém para deixar o olho dele roxo.

Eu estava furiosa só em pensar que ele poderia estar me traindo. Mas ao ouvir a freada do carro na porta, dei uma última olhada no espelho. Ele só deveria ter se atrasado um pouco, foi isso! Expectativa. Ansiosa. De braços abertos eu o recebi. Eu esperava pelo menos um abraço, e quem sabe um beijo. Ele entrou, mas não deu nem boa noite, passou por mim, e desmaiou no quarto.

Fiquei arrasada!

Passei a noite inteira chorando e, o amaldiçoando a morte. Acabei dormindo com os olhos inchados e pensando na minha sorte: “ele deve estar com outra, só pode. Mas amanhã ele vai ver, eu tiro isso a limpo.”

Desperto com alguém me chamando.

 ― Acorda amor!

Abro os olhos. Estou sentada na cadeira a qual me sentei na sala. A casa está coberta de pétalas, velas acesas e o jantar posto na mesa. E o meu amado com um buquê de rosas na mão, sorrindo.

Olhei automaticamente para o relógio, só tinha passado vinte minutos. Tinha dormido cansada. Caí na gargalhada.

 ― Ué! Do que está rindo, fiz algo de errado!

 ― Não meu bem! Está tudo certo. Perfeito! Foi apenas um sonho… Um sonho não, um pesadelo!

Meu marido, meu amante. Meu eterno namorado… Mas com um olho fechado e o outro aberto.

 

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